"Reflexões na Rua: Compreendendo o Medo"
Hoje, quando saí para o trabalho, vi um homem em situação de rua que dorme em frente ao meu portão. Eu já tinha conversado com ele e pedido que não ficasse ali, pois poderia ser vítima de violência. Ele me pediu desculpas e disse algo que me tocou profundamente: "Desculpa por eu estar aqui, eu vou sair, mas estou esperando me acalmar."
Eu não sei o que o deixou tão angustiado, se foi medo, ansiedade ou algum efeito de droga. Mas ele estava paralisado por um sentimento ruim, mesmo sabendo que tinha feito um acordo comigo. Naquele momento, eu me vi nele. Quantas vezes eu também fiquei imobilizado pelo medo da vida? Medo de tudo, sem explicação. Um medo que pode ser chamado de ansiedade, depressão ou qualquer outro nome. Mas era um medo que me impedia de agir, de trabalhar, de aproveitar as oportunidades, de cuidar do meu futuro. Como se a única coisa que existisse fosse o medo.
Qual é a diferença entre mim e aquele homem, o Júnior? Por que eu não estou no lugar dele? Essa frase me doeu duas vezes: a primeira, porque eu sei o que ele quer dizer; a segunda, porque eu não sei como ajudá-lo, já que ele precisa de tudo.
O Júnior e eu somos iguais. Somos filhos de Deus que têm algo em comum: o medo paralisante. Eu tive a benção de ter uma família maravilhosa que me levou aos médicos. Tive amigos que me deram confiança. Mesmo assim, não sei o que fazer pelo Júnior ou porque eu não estou ao lado dele, na rua.
Caro leitor, o Júnior é como você e eu, às vezes paralisado pelo medo. Sem condições de se acalmar, mesmo tendo que se levantar cedo. A diferença é superficial: são os bens materiais. Eles nunca nos ajudaram a lidar com os nossos medos, às vezes até pioraram. Precisamos reconhecer que mendigos e pessoas ricas podem sofrer com as emoções e nos questionar: quão diferentes somos realmente?

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